Na maior parte das vezes cremos que necessitamos muito de algumas coisas e nos dirigimos a Deus justamente para pedi-las. É certo que a maioria das pessoas só se dirige ou busca a Deus quando humanamente falando já tentaram de tudo e a sua vontade ainda não se concretizou.
Não que todas nossas vontades ou desejos sejam ruins ou contrários à vontade de Deus. O que quero enfatizar aqui é que ansiamos tanto por algumas coisas que nos esquecemos de verificar a longevidade da felicidade conquistada através delas.
Enfatizo aqui a temporalidade das nossas satisfações. Desejamos muito algo, lutamos para tê-lo, algumas vezes obtemos com nossos próprios esforços, outras vezes nos dirigimos a Deus para pedir a ele uma ajuda, e cremos então que ele nos presenteou. E depois? O que acontece conosco? Permanecemos gratos pela “benção” recebida ou logo partimos pra próxima?
Lendo Pv10:22 que diz: “A bênção do Senhor é que enriquece; e ele não a faz seguir de dor alguma”, verificamos que benção deveria ser algo longevo, que não traria dor ou entristeceria a pessoa alcançada. Mas muitas vezes não nos atentamos muito para isso e já taxamos de benção tudo aquilo que ganhamos, por ser objeto de nossos desejos. Por exemplo, se uma pessoa ganha um celular novo com todas as funções possíveis, último modelo, já vai logo dizendo que isso realmente é uma benção. Ora, precisamos ver o fim disso para atribuir tal valor, pois o que vejo por aí hoje é gente usufruindo de todos os aparatos tecnológicos, mas distanciados de seus familiares, antenados apenas com seus pares no mundo virtual. E que dirá do afastamento que isso nos trouxe do próprio Deus. E me pergunto: isso é benção?
Deus fez uma vez certo apelo. Observe em Is55:
1 Venham, todos vocês que estão com sede, venham às águas; e vocês que não possuem dinheiro algum, venham, comprem e comam! Venham, comprem vinho e leite sem dinheiro e sem custo.
2 Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz? Escutem, escutem-me, e comam o que é bom, e a alma de vocês se deliciará com a mais fina refeição.
Essa pergunta que ele lança não é o máximo? Eu a repito para mim mesma: para que eu gasto dinheiro naquilo que não é pão, e o meu trabalho árduo naquilo que não satisfaz? Hummmmmm, chegamos ao cerne da questão. As coisas terrenos, materiais, comumente designadas por nós de bênçãos, na realidade não nos satisfazem. Ou seja, acabamos de receber a benção e já estamos todos desvairados em busca da próxima porque na realidade não estamos satisfeitos. E infelizmente não será a benção que nos trará satisfação. Deus convida aos que não tem dinheiro a virem e comprarem sem preço aquilo que realmente satisfaz. Temos referência nesse texto a água e a leite. Ambos simbolizam a palavra de Deus. Portanto, nossa satisfação só virá quando estivermos mergulhados na palavra, recebendo a vivificação dela por meio do Espírito, numa comunhão contínua com Deus.
Mas, e quanto a bênçãos? Não devemos procurá-las? Segundo Deus, elas nos alcançarão se buscarmos em primeiro lugar o reino de Deus. E quando vierem, serão de longa duração, não trarão sofrimento, mas serão um presente vindo das mãos daquele que nos quer bem .

